Será que apreendo a morte
Perdendo-me a cada dia
No patamar sem fim do sentimento?
Ou quem sabe apreendo a vida
Escurecendo anárquica na tarde
Hilda
Carrega-me contigo, Pássaro Poesia
Quando cruzares o amanha, a luz, o impossível
Porque de barro e palha tem sido esta viagem
Que faço a sos comigo. Isenta de traçado
Ou de complicada geografia, sem nenhuma bagagem
Hei de levar apenas a vertigem e a fe:
Para teu corpo de luz, dois fardos breves
Deixarei palavras e cantigas. E movediças
Embaçadas vias de Ilusão.
Nao cantei cotidianos. Só te cantei a ti
Pássaro-Poesia
E a paisagem-limite: o fosso, o extremo
A convulsão do Homem
Carrega-me contigo.
No Amanha
Hilst
O mar, o vasto mar nos consola os labores
Que demônio dotou o mar, roufenho canto
Perene a acompanhar os ventos rugidores,
Da sublime função do sublime acalanto?
O mar, o vasto mar nos consola os labores!
Arrasta-me vagão! conduze-me, fragata!
Longe! que a lama aqui e como nosso pranto!
- Teu coração, que sempre a tristeza acicata,
Diz: Longe do remorso e da dor do espanto,
Arrasta-me, vagão! conduze-me, fragata!
Como estas tão longe, paraíso perfumado
Em que, sob céu azul, tudo e alegria vaga,
Em que e digno de amor tudo aquilo que e amado,
E na volúpia pura o coração naufraga!
O irreparável rói, feito praga inimiga,
Nossa alma, uma estatua do tédio,
E ataca muitas vezes assim como a formiga,
Por sua base o pobre prédio,
O irreparável rói, feito praga inimiga
Destas lãs louras e morenas
Sai um aroma doce de pêlos
Que me perfumei só por tê-los
Afagado uma vez apenasÉ espírito familiar da morada:
Preside no seu magistério
Todas as coisas deste império:
Seria talvez Deus ou fada?Quando o olhar para este gato a esmo
Como por imã atraído,
Se dirige, e tão sucumbido,
E que eu olho para mim mesmoEu vejo com olhar demente
A luz destas pupilas ralas,
Claros faróis, vivas opalas,
Que me contemplam fixamente
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